Chamo-me Auma Flossy. Nasci em 1989 numa cidade pequena no norte da Suécia. Cresci entre florestas, lagos e invernos longos. Desde cedo aprendi a gostar de coisas simples: caminhar na neve, desenhar o que via pela janela, guardar pedaços de papel com frases que me faziam pensar.

Depois de estudar design gráfico, mudei-me para várias cidades grandes — Estocolmo, Copenhaga, depois Berlim. Trabalhei em agências, fiz projetos para marcas conhecidas, passei noites a ajustar detalhes que quase ninguém via. Era estimulante no início. Depois tornou-se um ciclo de prazos, revisões e mais prazos.

A decisão de abrandar

Em 2023, depois de um projeto que me deixou completamente vazia durante meses, decidi parar. Não foi uma crise dramática. Foi uma sensação lenta de que estava a viver uma vida que não era a minha. Vendi quase tudo, guardei os cadernos e as ferramentas de desenho, e comprei um bilhete para Portugal. Escolhi o Alentejo primeiro, depois vim para o norte. Não tinha plano. Só sabia que precisava de luz diferente e de tempo que não fosse medido em horas faturáveis.

As primeiras notas

Nos primeiros meses andava muito. Saía de casa de manhã e voltava quando o sol já tinha baixado. Levava sempre um caderno pequeno no bolso. Quando via ou ouvia algo que me fazia parar, escrevia uma ou duas frases. Não era para publicar. Era para não esquecer.

Aos poucos, as notas começaram a formar um mapa. Não de lugares, mas de sensações: como cheirava o pão na padaria da esquina, como a luz mudava na parede da sala às cinco da tarde, o que o vizinho dizia ao cão todas as manhãs.

Por que criei este arquivo

Depois de quase um ano de notas, percebi que tinha algo que queria guardar de forma mais permanente. Não porque achasse que as notas eram especiais, mas porque o ato de as escrever me tinha ajudado a sentir que estava realmente a viver aqui, não apenas a passar por aqui.

Criei este website como uma extensão do caderno. Algumas notas ficam privadas. Outras partilho aqui, editadas e organizadas, para que talvez alguém que também anda à procura de um ritmo mais lento encontre algo que lhe faça sentido.

O que aprendi até agora

Aprendi que o meu corpo precisa de referências físicas para saber quando o dia começa e quando termina. Aprendi que cozinhar sem receita é mais criativo do que seguir uma receita perfeita. Aprendi que caminhar sem destino é uma forma de conhecer um lugar que nenhum mapa consegue mostrar.

Aprendi também que não preciso de produzir nada para ter valor. Que posso passar uma tarde inteira a desenhar uma folha ou a escrever três frases sobre como estava o céu, e isso pode ser suficiente.

Este arquivo é a minha forma de lembrar isso a mim própria. E se ressoar com alguém que está a ler, então valeu a pena partilhar.

Obrigada por estar aqui. Se quiser escrever, a página de contato está aberta.