Um arquivo de pequenas notas sobre como vivo os dias quando não há pressa. Rituais, observações, tentativas e o que fica quando paramos para registar.
Comecei a guardar estas notas em 2024, depois de me mudar para Portugal. O que começou como uma forma de não esquecer os dias acabou por se tornar um lugar onde consigo ver o que realmente importa quando o ritmo abranda.
Não há sistemas nem objetivos aqui. Apenas o que observo quando cozinho sem receita, caminho sem destino ou sento-me no mesmo canto da sala todas as tardes. Se estas palavras lhe fizerem sentido, fico contente.
Como comecei a estruturar as manhãs de uma forma que não me cansasse antes do dia começar. Sem alarmes, sem objetivos, apenas gestos que o corpo reconhece.
O que mudou quando parei de procurar receitas perfeitas e comecei a cozinhar com o que tinha na bancada e no mercado daquele dia.
A razão por trás deste arquivo: não para lembrar grandes eventos, mas para não esquecer como a luz entrava pela janela numa tarde comum de maio.
O que vejo quando saio sem saber para onde vou e deixo que os passos decidam o caminho. Ruas que nunca tinha reparado, conversas que ouço ao passar.
Como criei um lugar fixo na casa onde o dia pode acabar sem que eu precise de fazer mais nada. E o que isso mudou no meu sono e no meu humor.
Estas são apenas algumas das notas que guardei. O arquivo continua a crescer devagar, à medida que os dias acontecem.